No dia 04 de abril, o MEC apresentou a sua Base Nacional Comum Curricular - BNCC, que será o documento que vai servir de referência a todas as escolas do país. 60% da carga horária será Português e Matemática. 40% será dividido entre linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da natureza. Outra opção é optar por ensino técnico profissionalizante nos 40%.Um pouco antes, no dia 06 de março, surgiu a “proposta” do Conselho Nacional de Educação - CNE - para as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio: impôr EaD’s (Ensino a Distância) dos 40% de conteúdos opcionais, no caso de Ensino Médio regular, e 100%, nos casos de Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Sua desculpa é “baratear os custos”.


O CNE pretende, com essa proposta, precarizar ainda mais o ensino. Basta lembrar que após contrarreforma do Ensino Médio de Temer (imposta pelo gerente de turno antipovo e vende-pátria em fevereiro de 2017), que já abriu brecha para as EaD’s, o conteúdo científico das escolas foi completamente abandonado, coroando o processo de décadas de imposição de uma educação pragmatista e tecnicista. O que esta proposta do “conselho” nacional de educação visa é regulamentar o que hoje é já uma possibilidade nefasta, para que passe a ser esta a realidade de todo Ensino Médio do país!

Ao mesmo tempo em que retira o conteúdo científico dos jovens de nosso país, impedindo que estes tenham acesso ao conhecimento produzido pelo homem na sua luta por transformar a natureza através de séculos, esta medida traz também outro objetivo maior: impedir que estes jovens estejam em contato, no ambiente da escola pública, com outros jovens, com professores e pedagogos.

Nas escolas de ensino médio, 60% não possuem laboratórios de ciências, 16% não tem laboratórios de informática e 34% não possuem bibliotecas! Como se não bastasse o estado das escolas públicas, mais de 50% dos municípios possuem apenas uma delas. É este o resultado da continuada política de fechamento de escolas, no campo e na cidade, além da política de precarização.

E com este novo controle do que é e o que não é ensinado (BNCC) e as formas determinadas que serão ensinadas (em grande parte via EaD’s), o MEC segue à risca a cartilha do Banco Mundial para a educação nos países dominados: uma educação vinculada unicamente ao processo de produção que se desenvolve no nosso país (no campo o “agronegócio” e nas cidades os sub-empregos, trabalhos informais e outros) e, além disso, que forme seres “dóceis e passivos” diante da miséria imposta pelo imperialismo. Com isso, querem garantir as necessidades dos grandes burgueses e latifundiários. Extraindo até a última gota de suor e sangue dos trabalhadores, aumentando as taxas de lucro e enchendo os bolsos das empresas imperialistas que aqui atuam.

É isto o que está por de trás do discurso de “modernização” do Ensino Médio do nosso país! Diante desses ataques do velho Estado contra a educação pública, nós estudantes secundaristas da Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária afirmamos: devemos reforçar nossa mobilização e com muita energia e combatividade enfrentar esses ataques para barrar a BNCC e a contrarreforma do Ensino Médio! Seguir o caminho da luta que levou da juventude secundarista de SP que incendiou o Brasil com vitoriosas ocupações combativas em 2015/1016, provando que somente o caminho da luta é capaz de trazer verdadeiras transformações! Avante juventude, a luta é o que muda, o resto só ilude!

 

ABAIXO A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR!

LUTAR POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA GRATUITA, CIENTÍFICA, DEMOCRÁTICA E A SERVIÇO DO POVO!

REBELAR-SE É JUSTO!

 

Comando Nacional, Agosto de 2018