Viemos por meio dessa publicação fazer um justo e correto balanço do que representaram as jornadas de Juho/Julho de 2013 e também fazer um justo e correto balanço do que isso representou para o desenvolvimento da situação revolucionária no país, e também a ligação direta desse processo com o surgimento e desenvolvimento da nossa Organização.

As jornadas de Junho/Julho de 2013 e o surgimento de nossa corrente

    No marco dos 10 anos do gerenciamento oportunista se dão alguns eventos de grande importância na luta de classes em nosso país. Acontecimentos que apontavam para uma nova crise, nova situação, novo desenvolvimento da situação revolucionária. A contundente intervenção dos revolucionários impõe o caminho da luta classista no movimento operário, o da punição aos torturadores do regime militar ao movimento feminino revolucionário, e também da luta contra as reformas do Banco Mundial no Ensino no Movimento Estudantil. Isso, aliado ao combate sem quartel contra o revisionismo e todo oportunismo, causa a desestabilização do gerenciamento oportunista num período de crise do imperialismo, como destacado acima. Em 2011, massivas rebeliões de operários se dão nas obras do PAC. Os operários enfrentam a repressão policial da Força Nacional de Lula, cobrem seus rostos e incendeiam os campos de obra. No ano seguinte, 2012, importantes batalhas se dão no movimento camponês revolucionário e no dia 09 de abril em Jacinópolis-RO, é assassinado por pistoleiros a mando do velho Estado, o dirigente camponês companheiro Renato Nathan. O companheiro Renato foi um dos fundadores do MEPR, que logo após concluir seus estudos, atuou junto às massas camponesas como professor na Escola Popular e contribui decididamente na Revolução Agrária, se tornando uma das principais lideranças da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) de Rondônia e Amazônia Ocidental. Em sua homenagem e devido à sua importância na nossa revolução, a FRDDP instituiu o dia 09 de Abril como o Dia dos Herois do Povo Brasileiro. O assassinato do companheiro Renato, longe de fato isolado, representava a heroica resistência de camponeses, indígenas e quilombolas em sua sagrada luta pela terra e apontava para a juventude o caminho da rebelião como saída para a crise.

    Assim, 2013 se inicia já com o prenúncio de grandes batalhas. Em Goiânia, os companheiros do MEPR dirigem uma importante luta, que contou com combativos enfrentamentos com a PM, protestos com incêndios a ônibus e que se estende por 5 meses, até maio, criando um acúmulo fundamental para o ponto de virada que será no mês seguinte, em Junho. Porto Alegre e Natal também são dois palcos de manifestações que fornecem importante acúmulo quantitativo para Junho. Como fenômeno em correspondência direta com o fracasso do oportunismo e incapacidade de apontar uma saída revolucionária na luta de classes, porém numa concepção de paralelismo em relação à necessidade da reconstituição do Partido Comunista do Brasil, em 2 de fevereiro daquele ano, é fundada, no que ficou conhecido como Congresso da Unidade Vermelha, a nossa corrente que se elegem os dirigentes nacionais. Em que pese os problemas ideológicos que seriam matéria de luta mais à frente, a criação da organização é uma vitória para o proletariado, uma vez que expressava a legítima vontade da juventude em se colocar de forma firme e decidida a serviço do povo e da revolução. Do ponto de vista subjetivo, durante as jornadas de Junho e Julho de 2013 e 2014, triunfou em nossas fileiras primordialmente a linha dos companheiros da FRDDP, por mantermo-nos à esquerda, contra a capitulação e diluição do movimento. Entendemos corretamente o caráter das manifestações e rechaçamos as tentativas do centrismo e do oportunismo em qualificá-las de “fascistas”, ora alarmando para o “perigo de golpe”, ora dizendo que eram manifestações de “classe média”. Seguimos nos colocando na linha de frente das mais ferozes batalhas, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia, Belém, Porto Alegre, Recife e demais, empunhando e jamais rebaixando nossa gloriosa bandeira vermelha.


   

Protesto em Goiânia em 2013: onde tudo começou.
Protesto em Goiânia em 2013: onde tudo começou.


    O oportunismo logo se pôs na tropa de choque da reação, criminalizando a juventude combatente como “minorias ligadas ao PSDB”, “vândalos” etc; para logo de sua massificação e generalização por todo o país, presidirem pessoalmente a repressão ao povo. O monopólio de imprensa e siglas rivais, por sua vez, tentaram dirigir o movimento para atacar o PT, separando as massas entre “minoria violenta” e os “cidadãos de bem”, ordeiros e pacíficos, para tentar pregar um rótulo de pacifismo nos protestos. Os centristas do PSOL, PSTU e PCBrasileiro se aliaram ao oportunismo na taxação das manifestações como estas serem de cunho fascista. Nos protestos contra a Copa da FIFA, houve um enorme rechaço das massas a ambas agendas, principalmente por parte da juventude combatente e, onde se deu mais direção revolucionária, como no Rio de Janeiro, lançou com mais decisão as chamas da violência revolucionária em toda sua fúria contra os símbolos do velho Estado e das classes dominantes, seja na “batalha da Alerj”, tomando a casa dos inimigos do povo de pedra, pau e fogo, ou na véspera da final da Copa das Confederações, não se intimidando pelas hordas fascistas da PM que reprimiu e encarcerou nossos companheiros e companheiras. Nas grandes cidades, com a intervenção dos revolucionários brasileiros, estes protestos ganharam um novo patamar de violência ao nível do que demandava a situação revolucionária naquele momento.
   
    Importante destacar que, durante as jornadas, importantes ações se deram através do movimento camponês revolucionário, como a potencialização dos cortes de rodovias federais, por todo o campo brasileiro, em que os companheiros e companheiras do campo sabotaram as vias de transporte de carga brasileiras e levantaram a consigna ressoada por todos os movimentos revolucionários: “O BRASIL PRECISA DE UMA GRANDE REVOLUÇÃO!”.  

    É neste contexto em que surge tal onda de jovens que se lançam para a luta, rechaçando o oportunismo e a farsa eleitoral, impondo a violência revolucionária como principal forma de luta, este é o grande salto que Junho trouxe, o legitimar do 'Rebelar-se é Justo!'. Sob estes princípios, criam-se as FIP's, frentes táticas em que nossa corrente teve papel fundamental nas principais cidades onde atuamos, como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Campinas, Belém, Goiânia e Porto Alegre.    

"Em 2013 sensacional, tomamos a Alerj de pedra e pau!"


    O ano de 2014 é marcado pelo refluxo do movimento de massas. Algo já esperado, se tomamos a lei universal do caminho zigezagueante na luta de classes do proletariado, com avanços e recuos e que se dá por saltos. Porém ainda houve importantes batalhas, principalmente em São Paulo e Rio. A imprensa buscava a todo custo algum factoide para legitimar uma repressão mais aberta contra as organizações revolucionárias. Tentou a primeira vez (com grande auxílio dos sequazes petistas) depois de, na primeira manifestação contra a Copa na capital paulista, um trabalhador da massa ter jogado seu carro contra uma barricada em chamas e tê-lo incendiado. Desmentida a tese de que manifestantes teriam deliberadamente incendiado o carro de “um cidadão comum”, continuaram a perseguir este objetivo até que com o acidente envolvendo o cinegrafista da Rede Bandeirantes, Santiago Andrade, no Rio, causando sua morte, conseguiram o que queriam: Criminalizaram os protestos, processaram e prenderam 23 ativistas no RJ e 2 em São Paulo. Ainda em 2014, nas vésperas da abertura da Copa da FIFA, o PSTU trai a greve dos metroviários de SP, que poderia realmente ameaçar a realização da abertura da Copa, entrega companheiros ativistas para a repressão e encerra assim sua vergonhosa participação nas jornadas de 2013 e 2014, como uma fiel representação do que foi toda a postura em geral dos centristas, de PCBrasileiro a setores anarquistas, como renegados que são, principalmente os trotskistas posmodernistas, durante o período dos levantamentos. A capitulação e a consequente depuração ideológica nas frentes táticas são mais ou menos uma tendência em 2014.

    Os anos de 2013 e 2014, portanto, foram anos de intensa atividade revolucionária, onde chegávamos com um saldo de além de algumas prisões, um relativo acúmulo e experiência de combate e também política e organizativa, mas principalmente de combate. Foram anos que gestaram importantes lutas ideológicas dentro da organização.   

 

 5 anos depois empunhando a bandeira que a rebelião se justifica!

    É importante fazer um correto balanço do que representou Junho/Julho de 2013 para que assim possamos compreender mais profundamente as tarefas da juventude revolucionária diante da situação que se apresenta.

    Agora 5 anos depois das gloriosas jornadas de Junho/Julho de 2013, a crise do capitalismo burocrático no país agravou-se, período em que se ampliou a pugna entre as duas frações da grande burguesia brasileira: a burocrática e a compradora. Diante dessa divisão no seio das classes dominantes a crise se apresenta não somente como crise econômica e política (como tratam de dizer o grande monopólio da imprensa),e sim como crise econômica, política, moral e militar; crise do capitalismo de tipo burocrático de tipo sustentado nas apodrecidas subjacentes relações de tipo semifeudal refletidas nesse velho Estado com sua podridão cada vez mais escancarada.

    O gerenciamento de turno do oportunismo afundou na própria sujeira que este mesmo produziu durante 14 anos de servilismo à grande burguesia, aos latifundiários e ao imperialismo, principalmente ianque, sendo defenestrado da cabeça do velho Estado desmoralizado. E quanto a isso não temos receio de dizer: Derrota do Oportunismo, Vitória da Revolução! Diferentemente do cacarejo da “esquerda” oportunista de que a queda do gerenciamento de turno petista representa uma “escalada fascista”. Durante os 14 anos do gerenciamento do oportunismo, o Movimento Revolucionário desde o início encampou encarniçada luta contra as políticas do velho Estado, nadando contra a maré, sustentou a bandeira da combatividade e a necessidade de uma Grande Revolução para de fato transformar o país. O gerenciamento do oportunismo como expressão da convergência contrarrevolucionária combinada entre o imperialismo e revisionismo em nosso país, aplicou duros golpes na luta das massas seja através da política de perseguição, encarceramento e até mesmo assassinato de lideranças populares ou com a corporativização das massas atando um grande número de massas com uma camisa de força. A crise que eclodiu em 2013 já era prevista diante da crise profunda em que se afundava o imperialismo ianque, e só não ocorreu por conta dos grandes investimentos do imperialismo chinês no país, período também da “farra do crédito”, em que o pelego-mor Luiz Inácio dizia ser a onda de quebradeira iniciada com a crise financeira nos USA em 2008, para nós “apenas uma marolinha”. Diante disso a queda do gerenciamento de turno oportunista é resultado direto da luta das massas, principalmente sob direção do Movimento Revolucionário, que foi se libertando das amarras do oportunismo e compreendendo em mais alto nível que somente através da luta radicalizada é possível trilhar o caminho para uma nova sociedade.

    Após as jornadas de Junho 2013 outros grandes levantamentos de massas eclodiram no país, destacamos o vitorioso movimento secundarista, que através das ocupações das escolas barrou ataques contra o sucateamento da educação pública, arrancando através da luta combativa, vitórias importantes para os estudantes rechaçando as Organizações que se um dia bem remoto já foram de luta, hoje são meros apêndices do velho Estado, como instrumentos dos seus sucessivos gerenciamentos de turno: UNE, UBES, UMES, UEE etc.

    Uma questão particular e muito importante que devemos ter em mente é a consigna que em 2013 foi possível de impulsionar a explosão de massas que estava em iminência e só faltava a faísca. A palavra de ordem do Passe Livre contra a tarifa, é uma reivindicação histórica das classes oprimidas em nosso país, especialmente do Movimento Estudantil e da juventude. A luta pelo Passe Livre não é uma pauta necessariamente revolucionária, pois, dentro das atuais condições do velho Estado é totalmente possível de ser atingida, dependendo exclusivamente do grau de condições subjetivas em torno dele. Vejamos: Por acaso, o velho Estado já não dá gratuidade para vários segmentos demográficos (ex: terceira idade, alguns estudantes, desempregados etc)? Tratava-se, portanto, de trazer para a consciência geral do povo que o transporte público para a juventude é um direito, uma necessidade básica, para o desenvolvimento de sua cultura, acesso à lazer, esporte e até mesmo ao mercado de trabalho. E isso requer muita mobilização, organização e radicalização na luta.

    E por conta disso foi possível em 2013 aglutinar grandes massas em torno dessa pauta, que só não foi levada adiante por debilidades e limitações da direção do movimento Passe Livre, que capitulou de sua tarefa histórica chegado determinado momento das manifestações, alarmados pelo oportunismo petista do Sr. Haddad com o perigo da “ascensão da direita”. Compreendemos ser de extrema importância, principalmente o Movimento Secundarista, continuar levantando alto a bandeira do Passe Livre, de zerar a tarifa, e não se restringindo a pauta conformista e limitada de ano em ano “contra o aumento”.
   
    Como resposta à crise atual que explicamos acima, grandes rebeliões de massas no campo e na cidade são iminentes, e tendo isso em vista está colocado em marcha pelas Forças Armadas um golpe militar contrarrevolucionário preventivo, para em uma última tentativa desesperada conter através da repressão violenta o desenvolvimento do movimento popular que avança em passos largos rumo a uma grande revolução. Diante disso não podemos cruzar os braços e fazer berreiro como fazem os oportunistas contra qualquer movimentação das massas para o “perigo de golpe”, pelo contrário devemos incentivar e participar ativamente dessas rebeliões, atuar dentro delas colocando principalmente para a juventude a necessidade de se organizar e levantar alto a bandeira da Revolução. Na situação em que se encontra o país qualquer corrente política, seja qual for sua orientação, tem amplo campo para atuar, e não vai ser com imobilismo que vamos enfrentar a extrema-direita que quer cavalgar na insatisfação das massas, muito menos alimentando a ideia de que é possível transformar o velho Estado a partir da farsa eleitoral. Como diz um grande revolucionário do Peru “As massas seguem os que afirmam e não os que duvidam”, somente com luta classista, combativa e independente é possível conter o avanço dessa milicada fascista lambe-botas do imperialismo ianque, e com isso impulsionar as massas para luta pela Grande Revolução que o Brasil precisa.

    Por fim fazemos uma saudação calorosa às massas que participaram ativamente das jornas de Junho/Julho de 2013, especialmente a juventude combatente. Fazemos um chamado a todos e todas companheiros (as) para compreenderem de forma mais profunda e clara o que representou Junho/Julho de 2013 não caindo na análise encabeçada pelo PT, derrotista e podre, colocando nas costas da juventude combatente as mazelas advinda da crise do capitalismo burocrático onde estiveram à frente durante 14 anos. Convocamos a todos e a todas para lutar cada vez mais para se fundir com as massas fundas e profundas do nosso país, empunhando alto as reivindicações históricas do heroico povo brasileiro, como o Passe Livre, colocando toda nossa energia, força e disposição para ligar essas reivindicações à luta pela Grande Revolução que o Brasil precisa, pois, somente através dela é possível fazer uma transformação radical da nossa sociedade.

Viva as heroicas jornadas de Junho/Julho de 2013!
Viva a juventude combatente!
Por um transporte público, gratuito e de qualidade para o Povo!
Contra a tarifa, rebelar-se é justo!
Nem Intervenção Militar, Nem Farsa Eleitoral! Viva a Revolução!

Comando Nacional, Junho de 2018.