Com júbilo revolucionário, saudamos os companheiros do 'Fagulha', também declaramos nosso acordo no fundamental com as posições de seu Manifesto, que republicamos a seguir.

Convidamos a todos ativistas, revolucionários e democratas a conhecerem o movimento Fagulha, através de seu sítio na internet.

Manifesto

 

A construção do movimento estudantil independente

 

À toda juventude combatente Latino Americana,

 

Frente a recente intervenção militar no estado do Rio de Janeiro, que tem como discurso a “guerra às drogas” e combate a violência, escondendo o real motivo de controlar a inevitável revolta popular e administrar através da força um estado falido em suas competências, um golpe de estado se projeta para todo o país. Vemos os poderes (legislativo, executivo e também o judiciário) já descredibilizados atuando em conformidade com as decisões ditadas pelas forças armadas reacionárias, como no recente caso onde generais pressionaram diretamente o supremo a votar de acordo com seus interesses, sob a ameaça de intervenção em todo país caso esse não negasse o Habeas Corpus de Luiz Inácio, ex-presidente. Este acontecimento, soma-se ao assassinato covarde da vereadora Marielle, que passado mais de vinte dias permanece sem resposta, bem como outras mortes de lideranças no campo que continuam sem justiça como a chacina de Pau d’arco e os assassinatos na Terra Indígena Dourados Amambaipeguá 1 (Guarani Kaiowá) que hoje resiste a uma ordem de despejo por conta de interesses de latifundiários da região, a chacina de Osasco onde cerca de 16 pessoas foram assassinadas por grupos paramilitares, isso citando apenas alguns.

 

Em contrapartida, se projeta também pelo país e por toda américa latina a insurgência popular. Todas as manifestações massivas que vimos neste últimos dias por conta de Marielle, o avanço dos camponeses sobre as terras principalmente no norte do país que levantaram a bandeira da “Revolução Agrária”, as manifestações populares em Correntina(BA) por conta do roubo d’água por grandes fazendeiros, a revolta dos garimpeiros no Amazonas, a juventude que a tempo vem se rebelando encabeçando manifestações combativas desde de junho de 2013, ocupações de escolas pelos secundaristas, a autodefesa dos povos originários Ka’apor de seu território, são fatos que negam diretamente o discurso apregoado de uma passividade do povo. O proletariado, campesinato, povos originários, estudantes e as massas das periferias imprimem resistência à guerra civil reacionária.

 

Diante deste cenário de crise, a educação vem sofrendo diversos ataques, com cortes de verbas nas Universidades Públicas, a contra-reforma do Ensino Médio e a precarização de todos os serviços prestados do ensino em geral, que colocam os estudantes em condição de transformar suas universidades e escolas em trincheiras de luta. Historicamente no movimento estudantil predominou-se uma linha de caráter popular, porém nos últimos tempos, junto com falência do velho Estado Burguês apodrece também as velhas estruturas estudantis que tentam trabalhar a partir dele. Essa estrutura apodrecida ao invés de fazer a luta pelas demandas dos estudantes e servir como ponta de lança nas lutas de interesse povo, direcionava o potencial da juventude à campanhas da farsa eleitoral. A Juventude revolucionária desde muito desmascara o oportunismo e trilha o caminho fora da “pelegagem”, fato comprovado por meio das lutas recentes como podemos ver no caso das ocupações escolares de secundaristas e manifestações populares de junho de 2013 e também contra a copa do mundo, que rechaçaram os setores burocrátas e oficiais (UNE/UBES/UMES etc) que tentavam apropriar-se da justa luta estudantil e da juventude para seus interesses eleitoreiros. Tal expressão apresenta claros sinais de uma rebelião que se avizinha de forma eminente e que é reflexo também da agudização da luta de classes que desenvolve em toda sociedade.

 

O papel dos estudantes do povo é defender os interesses do povo. Nessa condição a universidade popular deve estar ligada intimamentes aos interesses das massas, tendo uma verdadeira relação de ligação com seu entorno, participando ativamente da vida dos bairros e cidades onde estão inseridas ajudando a resolver problemas, rompendo com o caráter burocrático e assistencialista da produção científica, desenvolvendo uma ciência que sirva ao povo na qual o povo também a produz.

 

Para tanto é necessário uma universidade gratuita e de qualidade que tenha amplo acesso das massas, seja na salas de aula ou nos espaços deliberativos, que reconheça suas dificuldades e trabalhe para que estas sejam superadas através da luta por ligar teoria e prática. Nesse sentido, a Universidade Federal de Integração Latino Americana (UNILA) possui uma grande tarefa de caminhar para construção de uma universidade verdadeiramente democrática e autônoma, onde a integração dos povos se realiza principalmente através da luta destes por solucionar seus problemas dentro e fora dos muros da universidade. O movimento estudantil verdadeiramente combativo deve tomar a linha de frente por transformá-la em nossa trincheira de luta, resgatando o exemplo da história das lutas pelas universidades latinoamericanas como autênticas universidades populares.

 

Diante do total descrédito com todo aparato estatal de administração decomposto, diante de uma quase que onímoda consciência popular de que as eleições e o “circo eleitoral” são verdadeiramente uma farsa, diante dos ataques cada vez mais ferozes contra a vida do povo e seus direitos, o que resta às massas empobrecidas de nosso país e da América Latina senão a criação de suas próprias organizações cujo caráter defenda seus interesses de classe? Organizações que possam mobilizar, educar, produzir, e se defender dos mais diversos ataques perpetrados pela podre ordem de coisas vigente, organizações que sejam realmente do povo e que lhes deem a capacidade de transformar o mundo de forma consciente. Os estudantes do povo também devem ter sua organização, que tenha por objetivo ser instrumento de luta e não de conciliação e acordo, para que possa realmente ser um movimento estudantil independente e vivo, para que possa resolver os mais diversos problemas dos estudantes e atender suas necessidades.

 

Hoje damos mais um passo rumo à reorganização do movimento estudantil independente e há uma fagulha pronta a inflamar a luta dos estudantes.

 

Retomar a Paridade! Consolidar a Democracia Universitária na Unila!

 

Abrir as portas ao povo! Impulsionar a participação popular nos espaços de decisão!

 

Rebelar-se contra a canalhada reacionária no CONSUN!

 

Viva a luta dos Estudantes do povo!

 

09 de abril de 2018.