Republicamos documento da Frente Estudantil Revolucionária Popular (FERP)-Chile publicado em seu periódico "La Rebelión Se Justifica", n. 18.

Tradução não-oficial

Como a Laureate lucra com a educação

A educação chilena, como em toda sociedade de classes, está a serviço das classes dominantes, um punhado de magnatas com a concebem como um mercado a mais e na qual se manifesta um capitalismo burocrático, atrasado, que restringe o desenvolvimento científico e democrático da educação, e a põe à serviço dos monopólios.

Claro exemplo é o Grupo Laureate, rede internacional de universidades privadas com sede nos USA, que através de ser submetida a uma extensa investigação se conclui o evidente: lucro em três das universidades que controla, isto é, UDLA, UVM e UNAB.

Mecanismos que desviam milhões de dólares e deixam inútil a lei que proíbe o lucro na Educação são os contratos enre Laureate e as Universidades, em que estas instituições compram-lhe serviços e lhes pagam para usar a licença intelectual que vende, traspassando a maior parte de seu patrimônio a este grupo controlador, quer dizer, o esforço de mais de 80 mil estudantes que pagam a mensalidade, chega às mãos de um pequeno porém poderoso grupo.

A Universidade das Américas é uma das maiores do Chile e a maioria de seus estudantes está nas áreas de educação e saúde, o que torna o ensino precário ainda mais preocupante. A UDLA nem sequer dispõe de seus recursos, pois pode apenas contratar com a Laureate. Em 5 anos [n.t.: a Laureate] recebeu quase 900 reclamações formais contra si.

A Universidade de Viña del Mar está na miséria, suas dívidas superam mais de 5 vezes seu patrimônio. A Universidade Andrés Bello aumento em 60% os gastos realizados durante 5 anos, tendo transferido $1,4 bilhões à Laureate [n.t.: na moeda chilena]. Até o ex-decano de Direito disse que "o prjeto deixou de ser acadêmico e se começou a privilegiar o econômico".

Por tudo isso, se esteve às bordas do fechamento destas universidades em fins de 2017, contudo, a ex-ministra da educação Adriana Delpiano, temendo ante as possíveis manifestações dos quase 80.500 estudantes, somados aos 96 mil de institutos profissionais, que desataria esta decisão há apenas 1 mês de deixar o governo, decidiu não decretar o fechamento.

O velho Estado se viu afundado em suas próprias contradições, donde preferiu deixar que a Laureate siga roubando a milhares e milhares de estudantes sem consequências, a fim de evitar as mobilizações estidantis que eles tanto temem.
Esta é mais uma amostra do capitalismo burocrático na educação, absolutamente servil ao imperialismo, que com a agudização de sua crise, lança os estudantes ao protesto por uma educação à serviço do povo.