Comitê de Apoio ao AND – Curitiba/PR

No dia 6 de fevereiro de 2017 milhares de estudantes e trabalhadores tomaram as ruas do centro de Curitiba em manifestação contra o abusivo aumento nas tarifas do transporte coletivo em Curitiba e região metropolitana. A tarifa subiu de R$ 3,70 para R$ 4,25.

Antes da manifestação manifestantes e militantes da Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária fizeram uma exitosa panfletagem no Terminal Guadalupe, no centro da cidade. Com megafone, denunciaram o aumento abusivo e a relação visceral de Greca com a máfia dos transportes, convidando todos para o ato. Diversas pessoas que estavam esperando o ônibus aplaudiram e também fizeram o uso do megafone para demonstrar sua indignação.

No início da noite, os manifestantes saíram da praça 19 de dezembro em passeata à URBS – Urbanização de Curitiba S/A, monopólio de três famílias que controlam o transporte de Curitiba e região (famílias Gulin, Bertoldi e Curi). A juventude combatente exigiu a imediata redução da tarifa e denunciou as condições degradantes do transporte coletivo da cidade, expressos na demora dos ônibus, longas filas nos terminais, superlotação e a decadência da frota.

Com palavras de ordem, panfletagem e colagem de cartazes, a manifestação seguia vibrante pelas ruas da cidade. Em meio ao trajeto, a juventude combatente promoveu “pulaços” de catraca nos tubos, permitindo que os passageiros entrassem sem pagar passagem; pichações denunciaram o abusivo aumento da passagem e vidraças de bancos foram quebrados. Acossados pela crise econômica, enxergaram nos prédios da grande burguesia os símbolos dos seus algozes, e desataram sua justa fúria sobre eles.

Quando a manifestação já se aproximava da URBS, os policiais de Beto Richa (PSDB) e Greca (PMN) já haviam preparado um imenso cerco aos manifestantes e iniciaram as provocações.

Covardemente, a PM prendeu um jovem que estava sozinho na calçada, mais afastado dos outros. Houve justa resistência dos manifestantes e iniciou-se uma grande confusão. Os agentes da repressão atiraram balas de borracha e bombas contra diversas pessoas. 

A perseguição prosseguiu, na tentativa de impedir que os manifestantes se reagrupassem, mas a valente juventude combatente resistiu aos ataques e brigou para garantir seu direito de lutar.

Ao fim, onze pessoas foram presas e dezenas ficaram feridas, aumentando ainda mais a revolta dos que participavam do ato e dos que passavam pelas ruas no momento.

Uma nova manifestação foi convocada para o dia 10 de fevereiro.

Exemplo de mobilização

A juventude e estudantes de todo o Paraná têm dado grandes mostras de rebeldia e audácia. Em 2016 foram ponta de lança com as históricas ocupações secundaristas, na luta contra os ataques de Temer à educação.

Não obstante, a mobilização e luta da juventude tem arrastado os mais velhos no caminho da desilusão com este velho Estado e no caminho da combatividade: de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, 32,7% (422.153) das pessoas aptas a votar boicotaram o segundo turno das últimas eleições para prefeito. Já em 2017, professores do estado iniciaram o ano ocupando núcleos de educação.