Declaração emitida pela Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV) e Movimento Feminino Popular (MFP) conclamando os demais secundaristas que estão ocupando unidades escolares por todo o estado do Paraná e impulsionam o levante de massas contra os ataques do gerencimento Temer aos ataques do povo, a prosseguirem no caminho independente e combativo. 

Manifesto dos estudantes do Paraná

 Saudações vermelhas e revolucionárias a todos estudantes que se mantém firmes nas ocupas!

 Saudação especial às jovens companheiras que têm assumido a direção da luta!

  1. O maior movimento de ocupações de escolas da história completa um mês. As ocupações que se iniciaram em São José dos Pinhais no início de outubro e se alastraram por todo país, conformam hoje a principal força política de oposição à “reforma do ensino” dos gerentes de turno Temer/Richa (PMDB/PSDB).


  2. As ocupações são a resposta dos estudantes à aplicação das medidas antipovo, em particular a PEC 241 e MP 746, que juntas têm por objetivo a precarização e completa privatização do ensino público.



  3. Elas ocorrem num momento de agravamento da crise econômica, política, social e moral do nosso país, em que a gerência Temer, dando continuidade as politicas pró-imperialistas dos governos anteriores, aprofunda a entrega de nossas riquezas, arranca direitos dos trabalhadores, aumenta impostos para garantir os lucros dos banqueiros e dos grandes monopólios, com a desculpa esfarrapada de que são medidas necessárias para combater a crise. Por outro lado, o povo brasileiro sofre com o aumento do desemprego, que já chega a 15 milhões, arrocho salarial, carestia do custo de vida, falência dos serviços públicos e endividamento massivo.

  4. Elas ocorrem no momento em que milhões de brasileiros boicotaram a farsa das eleições, com 32,5% dos eleitores dizendo não a essa falsa democracia. Momento em que se agudizam todas as contradições no campo e na cidade, com aumento da mobilização principalmente dos camponeses pobres, povos indígenas e quilombolas, que lutam por conquistar a terra pela via da Revolução Agrária, contrapondo a falência da reforma agrária e os ataques criminosos do latifúndio, seus bandos armados e das forças policiais com mais organização e resistência.

  5. As ocupações são expressão da insatisfação geral de nosso povo contra os desmandos dos poderes executivo, legislativo e judiciário, enfim contra o velho e podre Estado brasileiro.

  6. As ocupações são o grito de rebeldia da juventude, que não quer mais viver como antes e rompe as amarras das ilusões eleitorais, dos partidos políticos eleitoreiros e todas suas organizações oportunistas. A juventude combatente não quer essas contra-reformas, quer Revolução!

  7. Nós, os estudantes secundaristas organizados nas ocupações, somos uma força poderosa! E por que? Porque durante mais de um mês resistimos aos ataques raivosos do governador Beto Richa, que lançou mão de todo seu aparato repressor, Conselho Tutelar, Ministério Público, Polícia Militar, diretores autoritários, professores fura greve, sindicatos e organizações estudantis pelegas, grupelhos fascistas e o monopólio de comunicação, para difamar, desmoralizar, criminalizar, intimidar, perseguir e desmobilizar nossa luta.

  8. A direção da APP-Sindicato/CUT/PT cumpriu mais uma vez o papel de camisa de força da luta dos professores, manipulando o movimento grevista, vendendo a greve e traindo a luta nas ocupações e, inclusive, tentando desmobilizar os estudantes.

  9. E temos que gritar aos quatro cantos do Paraná: A nossa luta, nossa organização e decisão, derrotou todos eles!

  10. Não somos os mesmos, nunca mais seremos! O saldo principal das ocupações é que hoje somos mais organizados, mais experientes, mais politizados, mais decididos e mais fortes do que há um mês. Nossa luta incendiou a juventude no Brasil!

  11. Enganam-se o governador e seus lacaios quando pensam que desocupando as escolas tudo vai voltar a ser como antes, que vão acabar com nossa luta. Pelo contrário, nós vamos seguir a luta dentro das escolas, nas salas de aula, levantando ainda mais estudantes contra as “reformas” do ensino e em defesa da escola pública.

  12. O governo Beto Richa subestimou a fúria dos estudantes secundaristas, agora está sangrando, desgastado, com a língua de fora, tal como um animal ferido que teima em ficar de pé. Sabe que tem que aplicar medidas antipovo que afetam os funcionários públicos, os municípios e suas economias e isso vai custar muito caro para o grupo econômico e político que representa.

  13. Na verdade, seja qual for o desfecho das ocupações, o gerenciamento de Temer/Richa só tem um caminho, que é ladeira abaixo, passando pelo descontentamento popular generalizado e o levantamento de lutas ainda maiores, nas quais as ocupações são apenas a ponta do iceberg. Daqui pra frente não tem arrego!

  14. O caminho é avançarmos na unificação da luta dos estudantes com os professores, funcionários e toda a comunidade na luta em defesa do ensino público e gratuito, preparando as condições para uma Greve Geral da Educação, único caminho para derrotarmos essas políticas antiestudante e antipovo.

  15. Mais que nunca devemos resistir dentro e fora das ocupações, manter a mobilização, elevar a luta e a organização em outro nível, convocar assembleias, atos, manifestações, fechamentos de ruas e estradas, panfletagens, e debates, envolvendo o máximo de pais, professores, trabalhadores, pequenos e médios comerciantes e demais apoiadores, levantando as reivindicações de cada colégio, exercendo a verdadeira democracia dentro das escolas.

 

Abaixo as medidas antipovo de Temer/Richa!

Abaixo a “reforma do ensino”!

Em defesa da escola pública, gratuita, democrática e que sirva ao povo!

Viva a luta dos estudantes nas ocupações! Viva a juventude combatente!

Eleição Não! Revolução Sim!

Rebelar-se é justo!

Despertar a fúria revolucionária da mulher!

 

MFP- Movimento Feminino Popular

UV- Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária