Reproduzimos a seguir artigo publicado na Edição n. 225 do Jornal A Nova Democracia.

 

AND: Vingar-se de dois jovens para amedrontar toda a juventude: fracassarão!


    Ellan Lustosa e Jailson de Souza    
    Ano XVIII, nº 225 - 2ª quinzena de Julho e 1ª de Agosto de 2019    


Em 2013-2014, naqueles que foram os maiores protestos registrados na história de nosso país, o povo, ainda que difusamente, deu um recado: “não aceitaremos mais enganação, opressão e exploração”.

Os anos anteriores, de quase 11 anos de governo petista, foram marcados por promessas nunca cumpridas. Se a economia não estava tão mal por razões alheias ao governo, por um lado, a vida das massas também não ia bem, de outro. Afora as migalhas e a ilusão de consumo via crédito – que endividou a maior parte das famílias e enriqueceu os bancos – nada foi feito. A exploração, a geração de riqueza nas mãos de um punhado sem melhorias reais na vida das massas, foi o combustível daquela revolta. Enquanto os apologéticos deste velho sistema vociferavam “somos a sexta economia do mundo!”, os trabalhadores, nas filas dos hospitais, na educação sucateada, na política de habitação e saneamento, na repressão desenfreada através da polícia genocida etc. sentiam os efeitos de um país, de fato, semicolonial e semifeudal.



Muitos assustam-se e lançam caracterizações àqueles protestos: “Ataque à democracia” etc.. Bem, sim, foi um ataque a essa velha democracia: à “democracia” dos ricaços, latifundiários e das companhias imperialistas, que resolvem suas divergências pontuais através do parlamento, dos conchavos, da compra de apoio político, propinas e outras coisas mais. É acaso essa “democracia”, que prometeu ao povo o paraíso e entregou-lhe o purgatório, repressão e falta de liberdade, que se quer salvar da ira popular? Pois, sem revolução, essa é a única “democracia” possível.

Quando se ataca ferozmente e se pretende condenar por homicídio doloso qualificado dois jovens que participaram de alguns desses protestos no Rio de Janeiro, Caio e Fábio, por um acidente que levou ao falecimento do cinegrafista Santiago Andrade (fogos juninos utilizados para se defender da repressão bestial da polícia), fica claro que o objetivo dos reacionários é lançar aos quatro ventos: “não podemos permitir que aquela revolta geral passe impune”. E toda a vingança das classes dominantes por protestos de milhões é despejada sobre dois jovens manifestantes.