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Publicamos a seguir o Boletim n. 1 de Maio de 2019 elaborado palo Comando Nacional da Unidade Vermelha - Liga da Juventude Revolucionária para orientar nossa tática nacionalmente quanto às tarefas de enfrentar o golpe contrarrevolucionário preventivo em marcha e resistir aos ataques à juventude e à educação.

Clique aqui para baixar a versão em PDF.

 

Contra os ataques à juventude do povo e à educação: Levantar a bandeira da Greve Geral de Resistência Nacional

Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP) apontam aumento vertiginoso da letalidade policial. Só em 2018, a polícia matou mais de 6 mil pessoas em todo o país, expressiva parte destas é de jovens pobres. Inequívoca demonstração da intensificação da guerra civil reacionária promovida pelo Estado burocrático-latifundiário contra o nosso povo. Esta guerra que se leva a cabo é uma das tarefas reacionárias a serem aplicadas pelo velho Estado brasileiro que, através do Alto Comando de suas Forças Armadas (ACFFAA), pôs em marcha já desde antes da eleição do fascista Bolsonaro, um golpe militar contrarrevolucionário preventivo à rebelião popular. Rebelião esta que é inevitável, pois que se gesta em resposta aos distúrbios provocados pela grave crise do capitalismo burocrático em nosso país em meio à crise geral do imperialismo no plano internacional.

Só nas últimas semanas exemplos flagrantes de como a juventude é um dos alvos principais desta tarefa reacionária: Chacinas de PM’s Brasil afora, detenções de vários jovens nacionalmente pretensamente sob justificativa de organizarem ataques terroristas (aproveitando-se da recente chacina de Suzano-SP), assassinato de um jovem que brincava com uma pistola de brinquedo no quintal de casa e mais notadamente a agressão a uma secundarista menor de idade e detenção de mais outros, dentro de uma escola estadual em Guraulhos-SP, em meio a uma manifestação pelo direito de estudar. No último caso, combina-se a aplicação da repressão ao levante das massas com a militarização das escolas, também como uma das formas da linha burocrática aplicada ao ensino, de que falaremos a seguir.

Tudo isso sob os aplausos sinistros dos reacionários e fascistas entre governadores e presidente, que criminalizam as massas em luta e tratam nosso povo como vagabundos ou traficantes, ou mesmo todo movimento organizado como coisa de “petistas”; ao passo que encorajam e estimulam as polícias e forças repressivas a transgredirem a própria lei e aplicar a regra do “primeiro atira, depois averígua”. Exemplos desse encorajamento estão, principalmente, no pacote “anticrime” de Moro, que está mais pra pacote antipovo e também em atitudes como a do governador marqueteiro puxa-saco de fascista João Doria (PSDB), que pagou “do seu bolso” advogado para PM’s que são investigados pela própria Corregedoria da Polícia. Cabe ao povo questionar o governador do porquê não paga “do próprio bolso” também para melhorar a qualidade das escolas e do ensino público de SP? Ou mesmo para advogados das famílias que têm seus filhos assassinados por PM’s todos os dias nas periferias de São Paulo?

Porém, apesar da tragédia que é para as famílias pobres, vítimas destes verdadeiros crimes de Estado, estes casos todos só fazem demonstrar que o povo está se levantando e revelando a face monstruosa do regime em curso no país.  

Rebelar-se é justo: A rebelião na escola em Guarulhos é grande exemplo pra juventude e pra todos os estudantes do país e revela a
podridão do sistema político que não tem mais nada a oferecer ao povo a não ser a ponta dos seus fuzis!

As tarefas reacionárias do golpe preventivo

Como já dissemos, a primeira tarefa reacionária do ACFFAA, que é quem governa de fato, é esmagar o povo de forma geral para prevenir um levante de massas. Isso se dá no campo militar em conjunto com a entrega da Base de Alcântara aos ianques e a participação na agressão à nação e povo venezuelanos, porém que há tarefas também no campo político e econômico.

No campo econômico, trata-se de entregar todas nossas riquezas naturais e materiais para os monopólios estrangeiros e passar as contrarreformas, como a trabalhista já em vigor e a da previdência, principalmente, mas não só; que têm o intuito de atacar os direitos conquistados pelos operários e camponeses em décadas de luta (como direitos trabalhistas mínimos e o próprio já parco direito de aposentar, por exemplo), tudo para poder explorar mais nosso povo e salvar o lucro dos monopólios financeiros internacionais em crise, dando sobrevida ao podre capitalismo burocrático no Brasil.

Finalmente, no plano político, pretendem reestruturar o sistema de governo, o velho Estado, em seu conjunto de leis e organização. A depender de quem saia por cima na disputa entre direita e extrema direita que se dá no seio do gerenciamento Bolsonaro (exemplo da ala olavete vs. o ACFFAA) isso pode se dar como um regime militar fascista e obscurantista religioso ou mesmo um regime de absolutismo presidencial (todo poder na mão de um presidente tutelado pelo ACFFAA). Ainda que ambas frações sejam das classes dominantes e ambas sejam obscurantistas, vende-pátria, antioperária e antipovo; há uma disputa violenta entre ambas, que já até tentou assassinar Bolsonaro e que pode dar num ou noutro sistema político de governo.

Isso tudo para atender melhor à nova situação que esperam criar de maior escravidão dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade; atacando finalmente seus direitos políticos como o de manifestação e de organização, com criminalização do protesto popular via lei antiterrorismo de Dilma e restrição da liberdade de organização, via leis antissindicais.

Seja qual for o modelo final que adotará o golpe militar em curso, só a Revolução de Nova Democracia pode combatê-lo.

Por isso dizemos: Nem Bolsonaro, Nem Mourão! Revolução Democrática Já!

A tarefa dos jovens e secundaristas

Nós, jovens estudantes filhos das classes trabalhadoras do país e futuros trabalhadores, temos de lutar resolutamente contra estas medidas, em especial, a contrarreforma da Previdência, para garantir o nosso direito atual e futuro a uma aposentadoria, direito de manifestar contra as injustiças e de nos organizarmos para lutar. Como os trabalhadores só podem ter força frente a voracidade da grande burguesia quando estão unidos, devemos levantar as bandeiras da Greve Geral de Resistência Nacional. Aos jovens que ainda não estão formalmente inseridos no trabalho, cabe apoiar a propaganda da Greve, difundir sua importância em seus bairros e escolas, organizando e promovendo debates, atividades culturais, cursos, aulas temáticas e na confrontação com as forças reacionárias no nosso trabalho, promover ocupações das Escolas e Universidades  e convertendo-as num espaço democrático de politização e exercício do co-governo de estudantes, pais, trabalhadores e professores, a exemplo da onda de Ocupações de 2015-2016.

O caminho burocrático no movimento estudantil

A Unidade Vermelha – LJR tem como tese fundamental de que no movimento estudantil existem dois caminhos: O caminho democrático revolucionário e o caminho burocrático reacionário e reformista.

O primeiro serve às massas do povo trabalhador, é a linha da defesa do ensino gratuito, nacional, de defesa da ciência e que está a serviço do povo, por uma transformação da sociedade e pela democratização da escola com a inclusão de pais e alunos na sua administração; o segundo é a linha do imperialismo e da grande burguesia, através do Banco Mundial, da privatização do ensino, do obscurantismo anticientífico, da restrição do direito de aprender e ensinar e da farsa eleitoral dos partidos burgueses desde o PT até o Bolsonarismo. Basta ver que a ‘esquerda’ oficial e centro-direita (PT e PSDB, por exemplo) estão juntos na defesa da BNCC, enquanto o bolsonarismo e a direita do MBL encampam o Escola Sem Partido, mas ambos são projetos do Banco Mundial de acabar com a formação crítica e científica dos alunos, que divergem apenas na forma.

Portanto, a linha democrática só pode ser defendida e aplicada por organizações independentes e combativas dos estudantes.

Por isso, combatendo o oportunismo da UNE-UBES, currais de grupelhos como a UJS e Levante, bem como enfrentando os fascistas-mirins do bolsonarismo e de grupos bandidos, como o MBL, enquanto estes se engalfinham nas suas ‘lutas’ ocas por usar azul ou rosa, nós vamos converter os grêmios estudantis em trincheiras de combate, conformar chapas com todos estudantes que queiram lutar contra os ataques do velho Estado ao povo trabalhador, ganhá-los, politizá-los e colocá-los a serviço da luta de resistência em defesa dos estudantes e dos direitos do povo. 

 

Viva a Greve Geral de Resistência Nacional!
Por um ensino gratuito, científico e a serviço do povo!
Viva a juventude combatente!
Abaixo o golpe militar em curso!
Viva a Revolução de Nova Democracia!

Comando Nacional
Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária
Abril de 2019