A pseudo-refundação da “UV”/Nova Pátria e seu nacional-reformismo eleitoreiro

No 1o turno da farsa eleitoral de 2018, a organização criada pela fração revisionista oportunista de direita e liquidacionista, ecabeçada por Dantas, em nota em redes sociais e blogs, usaram o nome da Unidade Vermelha, para mendigarem votos para Ciro Gomes, deixando mais uma vez bem clara sua obstinação eleitoreira.

    Para nós, não é novidade alguma que os eleitoreiros saem da tumba de dois em dois anos pra convencerem as massas desacreditadas na farsa eleitoral a votarem. Isso por si só não merece o esforço da crítica. E também é verdade que essa nota pífia não encontrou nenhum eco nas massas, a não ser um burburinho em redes sociais do imperialismo.

    Contudo, nos interessa essa crítica nesse momento, pois é uma boa oportunidade para, a partir dela, criticarmos as decorrências oportunistas daqueles que participaram dos levantamentos da juventude combatente nas jornadas revolucionárias de 2013, mas depois capitularam já em 2014 diante a polarização Dilma x Aécio (PT x PSDB). Ou seja, é importante porque trata do balanço de 2013 e de suas decorrências; isto é, das decorrências proletárias x pequeno-burguesas, das decorrências revolucionárias x reformistas, marxistas x revisionistas.

    Antes, devemos apenas contextualizar.

    Em 2014, após a fração que Dantas encabeçou ter sido expulsa da Unidade Vermelha-ORNLi, após quase liquidá-la enquanto organização revolucionária, ele e seu pupilo Torres seguiram com uma organização nacional-reformista chamada “Nova Pátria”. E já em 2016, num devaneio provavelmente fruto do cansaço do ostracismo da vida pequeno-burguesa, o cabecilha da fração revisionista oportunista de direita liquidacionista, Dantas, disse num blog pouco visitado ter refundado (sic) a Unidade Vermelha, chamando-a então de marxista-leninista (stalinista). Sobre o seu reformismo encoberto de stalinismo falaremos mais à frente. Antes, devemos apenas esclarecer que a dita UV marxista-leninista (stalinista) e a Nova Pátria são, na verdade a mesma coisa. Conforme o próprio Dantas afirma em seu pobre manifesto por ocasião da “refundação”:

    “[…] muitos dos posicionamentos do movimento Nova Pátria estão em sintonia com os posicionamentos e análises da UV que havia sido dissolvida” ii

    E que a divergência principal com o “Nova Pátria” é “sobretudo, orgânica”.

    Em resumo, são a mesma organização, porém ambos querem ser seu dirigente supremo. Daí a divergência “orgânica”. Um feudo pra lá, outro pra cá. O manifesto de “refundação”, portanto é o manifesto de fundação da “UV”/Nova Pátria.

    O fato novo é que agora, em 2018, quatro anos após não mobilizar absolutamente nada de relevante, nenhuma massa, nenhuma ocupação, greve, protesto, agitação… nada! Eles veem a público na pretensão quixotesca de esclarecer aos comunistas (!) qual deve ser a atitude destes perante mais uma farsa eleitoral.

    Embora seja ridículo o personalismo de Dantas e seu pupilo Torres, é uma contingência tão insignificante que não merece crítica a parte. Por isso, faremos uma crítica mais programática e política, pois o que interessa em nossa crítica é demarcar com o nacional reformismo que a “UV”/Nova Pátria assume de maneira cada vez mais descarada. Interessa essa crítica, porque essa tendência nacional-reformista com Ciro à cabeça será uma tendência de direita que se expressará na oposição burguesa a Bolsonaro e que poderá ganhar setores da massa estudantil diante do afundamento da oposição pequeno-burguesa do oportunismo petista.

Crítica ao Programa de 12 Pontos

    Nesse sentido, o melhor ponto de partida é o programa fundador da UV-ORNL de 2013. Como dizia o Presidente Mao, um se divide em dois. Então, o que tinha de positivo e o que tinha de negativo no ‘Programa de 12 Pontos’?

    Entendemos que o que tinha de positivo era, fundamentalmente, a defesa da violência revolucionária, a retomada das teses da III Internacional Comunista e de seu VII Congressoiii, a defesa do camarada Stalin, a defesa da revolução brasileira como democrática e de libertação nacional. E quais eram as limitações? A começar que partia de uma compreensão superficial das teses da IC, com isso se tinha total desconhecimento da vinculação entre a luta camponesa e a luta de libertação nacional, por exemplo. Enfim, repetia-se 90 anos depois, as incompreensões da direção do Partido Comunista do Brasil das mesmas teses à época. Ainda que, em meio à nova situação revolucionária que se abriu em 2013, era algo principalmente positivo, pois o mais comum nessa época era a afirmação desvinculada da tradição comunista e as propostas pequeno-burguesas anarquistas e posmodernistas. E só por isso, inclusive, esse programa serviu a congregar na UV-ORNL uma base proletária, apesar das limitações político-ideológicas e de direção de seus fundadores de Recife.
    
    No entanto, o Programa, além de limitado (pois continha ainda desvios das teses da frente antifascista do VII Congresso que não deixavam de maneira clara o sistematizado pelo camarada Manoel Lisboa na Carta de 12 Pontos, isto é, da necessidade do avanço da luta armada revolucionária como guerra popular como condição de ampliação da frente e como única forma de garantir a hegemonia do Partido Comunista na frente) somava ecletismo (tentativa de mesclar castrismo e marxismo) e falta de entendimento.

    Essencialmente, foram esses os pontos alterados pelo I Congresso da Unidade Vermelha, ocorrido em 2015. E claro, o fundamental entendimento de caracterização da Unidade Vermelha como uma organização de massas, uma liga de jovens revolucionários e não como Partido de vanguarda, Exército ou a própria Frente—que se deu no Congresso Extraordinário de Outubro de 2016.

    O crime que nos acusa a fração era de ter alterado o programa original da UV. Porém, o Programa “original” da UV, só era original no sentido de criar uma organização nova, porém que já tinha mais de 90 anos, pois reeditava velhos desvios de direita que predominaram durante muito tempo nas direções do Partido Comunista do Brasil.

Luta de duas linhas ou ‘racha’?

    Ao contrário do que diz o manifesto de “refundação” da “UV”/Nova Pátria, de que o racha se deu por motivo de “precoce expansão para outros estados do Brasil”iv, nós entendemos o problema fundamentalmente como uma luta de duas linhas em torno do seu programa e as decorrências táticas do mesmo, sendo uma delas o estopim, que era a tática frente as eleições burguesas.

    Em 2013, os liquidacionistas avançam para uma ação revolucionária, dirigida pela hegemonia do MEPR na FIP-PE, ou seja, todas as ações combativas e radicais que fizeram foi sob essa direção, para logo, diante do marxismo revolucionário (espelho revelador do revisionismo) assumido na direção da UV, iniciarem seu movimento rumo ao liquidacionismo; caminho este oposto ao da fração revolucionária na UV-ORNL, que avança para a ideologia proletária sustentada em sua própria capacidade de ação revolucionária, demonstrando condição proletária na luta de classes.

    O percurso dos liquidacionistas é então vergonhoso. Em 2014, vão apoiar Dilma no segundo turno, demonstrando a típica vacilação pequeno-burguesa, dando o voto à gerentona que tentou ser a algoz da Fifa contra a juventude combatente e que apesar de ter sido vitoriosa eleitoralmente, logo em seguida foi varrida da história política nacional (fato confirmado em sua recente derrota eleitoral). Qual foi a posição dos liquidacionistas? Repetir o discurso de petista de ‘golpe da direita’.

    Violando qualquer método proletário de se travar a luta, aos berros, são expulsos da UV após a intentona de liquidá-la. Fundam então a “UV”/Nova Pátria.

    Enfim, a UV-ORNL, como uma unidade de contrários, resultante da luta de duas linhas, da oposição sem contemporização que deve ser feita entre marxismo e revisionismo, de maneira consequente se cindiu em duas organizações opostas: UV-LJR e “UV”-NP, os primeiros avançaram ideologicamente de maneira consequente e proletária, reconhecendo as contribuições do presidente  Mao Tsetung e da revolução Chinesa, em especial da Grande Revolução Cultural Proletária e o papel da juventude na revolução; os segundos de maneira típica da inconsequência pequeno-burguesa se voltaram contra os melhores aspectos do programa de fundação para primeiro tentar liquidar a Reorganização, para depois “refundá-la” com um programa completamente revisionista e nacional-reformista, fato que se comprova uma vez mais, desta vez explicitamente com o apoio a Ciro Gomes.

Linha ideológico-política da “UV”/Nova Pátria

    Sendo assim, o apoio a Ciro Gomes (PDT) feito pela “UV”-NP e ao seu projeto de “desenvolvimentismo nacional” é a repetição do caminho da direção prestista revisionista (de 1935 ao V Congresso) e do MR8 (da proposição de reorganização dos comunistas no Brasil ao reboquismo do PMDB). Ou seja, é a terceira repetição da história, fato não previsto nem por Hegel, nem por Marx, são a farsa da farsa, o pigmeu dos pigmeus.

    Qual, a nosso ver, é portanto a caracterização ideológica da “UV”-NP? Revisionismo de velho tipo e vacilação pequeno-burguesa acentuada, que ora os colocaram a reboque do PT (2014) ora a reboque do PDT (2018); do ponto de vista político são a reprodução em miniatura bem reduzida do nacional-desenvolvimentismo do PCBrasileiro de Prestes e do nacional-reformismo do MR8 (PPL), somados ao aventureirismo pequeno-burguês do castrismo.

    Por fim, devemos exigir que não utilizem o nome do camarada Stalin para ocultar seu reboquismo à burguesia burocrática, seu eleitoralismo e sua completa inação revolucionária. A memória do camarada Stalin pertence aos comunistas e aos antifascistas consequentes que se alçam em armas para derrotar as forças mais reacionárias do capital financeiro mundial.

Abaixo o revisionismo e todo oportunismo!
Viva a juventude combatente!
Viva o camarada Stalin!
Não vote, lute pela revolução!

Comando Nacional da Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária
Novembro de 2018.