Viemos através dessa nota denunciar mais um passo na preparação do golpe de Estado militar contrarrevolucionário e preventivo à rebelião das massas. No dia 11/09 o Exército iniciou o que vai durar um mês na cidade de Suzano, treinamento da “Garantia de Lei e da Ordem” (GLO). São centenas de soldados, dezenas de carros militares e dois tanques de guerra, que estão instalados por toda cidade enquanto o treinamento se concentra na região de mata próxima ao bairro periférico Parque das Palmeiras.

O objetivo desse treinamento é ensinar como reprimir o povo pobre, especialmente sua parcela das periferias e favelas das grandes metrópoles, a exemplo do que já acontece no Rio de Janeiro, Roraima e Ceará. O resultado esperado é o que encontramos hoje na intervenção militar no Rio de Janeiro, crescente violência contra a população mais pobre se utilizando de todo tipo de “técnica” que são o modus operandi das Forças Armadas: perseguição, assassinato e tortura psicológica e física.

O Exército já vem realizando na região, ações de policiamento e repressão ao povo, instalando checkpoints, revistas injustificadas e coerção. Elevando o patamar do que já é a prática comum da Polícia contra a população mais pobre, restringindo cada vez mais o direito de ir e vir e criando um clima de terror entre as massas. Não temos dúvidas que já estão instalando e equipando centros de inteligência para intensificar a vigilância que permitirá maior perseguição no futuro próximo.

Tendo consciência que esse cerco e repressão produz a reação do povo, especialmente na juventude que é uma das parcelas mais afetadas, vem sendo realizadas diversas “ações sociais” nas periferias. As ditas “ações sociais” que vem realizando em escolas de bairro são, na verdade, parte da Guerra de Baixa Intensidade (GBI), tentativa de aparelhar ideologicamente os jovens para contrapor a organização revolucionária da juventude.

Diferente do que dizem publicamente os oficiais do Exército, justificando essas intervenções e treinamentos como parte de combate ao aumento da violência nas cidades, trata-se de um temor do potencial revolucionário das massas. As massas vêm se levantado em rebelião contra o atual estado das coisas e com isso a indignação contra todo esse velho sistema político podre. Isso se evidencia no rechaço à farsa eleitoral, onde a porcentagem de brancos/nulos/abstenções segue crescendo e é superior a qualquer candidato ao gerenciamento de turno do velho Estado. Alia-se a isso o fato dos revolucionários realizarem uma vigorosa campanha de boicote à farsa eleitoral e de propaganda da revolução, que vem ganhando cada vez mais força e peso no seio das massas. Comprovação disso foi a entrevista recente concedida pelo General Eduardo Villas-Bôas ao Jornal Estadão, onde o mesmo afirmou:

 “A gente vem pautando nossa atuação e discurso em cima da legalidade, legitimidade e estabilidade. Entendemos que a estabilidade é fundamental para o funcionamento das instituições. Até porque, o inverso, a instabilidade, implica diretamente em nossa atuação, como na greve dos caminhoneiros.”

O Exército teve sua fundação em um dos maiores genocídios da história da América Latina que foi a guerra do Paraguai, e desde o século XIX vem promovendo sucessivos massacres contra o povo brasileiro, principalmente contra aqueles que se levantam e lutam por uma verdadeira transformação do país. A história comprova através dos fatos: longe de serem salvadores da pátria, são eles diretamente responsáveis pelo atraso em que se encontra hoje nosso país, já que combateram a ferro e fogo todos os intentos de mudanças que tivemos até hoje. A única coisa que o Exército tem a oferecer ao povo é repressão. Já estiveram no topo do gerenciamento do velho Estado e perpetuaram os mais podres esquemas de corrupção e projetos vende-pátria, utilizando-se sempre de bravatas “contra corrupção” e um “patriotismo” de chiqueiro.

 Nós da Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária, rechaçamos veemente os passos que vem sendo dado rumo à intervenção militar e exigimos desde já a retirada do Exército da cidade de Suzano. Não tememos o golpe militar, pois, somos a tropa de choque da revolução proletária e seguiremos nos levantando em rebelião contra o velho Estado, e junto com as massas na luta pela revolução venceremos qualquer tentativa de incremento repressão por parte do velho Estado. Conclamamos desde já o povo para se organizar e resistir ao golpe militar, somente se organizando e lutando é que vamos levar adiante A Grande Revolução que o Brasil precisa!

 

Fora Exército de Suzano!

Abaixo à intervenção militar!

Nem intervenção militar, nem farsa eleitoral!

Organizar o povo para a Revolução!

Comando Nacional, setembro de 2018.